sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Pobrezinha


Nas nossas duas sinas tão contrárias

Um pelo outro somos ignorados:

Sou filha de regiões imaginárias,

Tu pisas mundos firmes já pisados.


Trago no olhar visões extraordinárias

De coisas que abracei de olhos fechados... -

Em mim não trago nada, como os párias...

Só tenho os astros, como os deserdados...


E das tuas riquezas e de ti

Nada me deste e eu nada recebi,

Nem o beijo que passa e que consola.


E o meu corpo, minh'alma e coração

Tudo em risos poisei na tua mão!...

...Ah, como é bom um pobre dar esmola!...



Florbela Espanca

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